segunda-feira, 1 de março de 2010

ELEIÇÕES 2010: A HABILIDADE POLÍTICA DE LULA E AÉCIO

Partindo da idéia de que Lula tentará retornar em 2014, o que é questionável, um cenário eleitoral, para 2010, certamente deve passar por dois grandes personagens da política atual. O próprio Presidente do PT, que está dando as cartas na disputa que se avizinha. E o Governador Aécio Neves, respeitado por ambos os lados, que em uma eleição de feitio plebiscitário, como dizem querer os petistas, mesmo assim irá destacar-se a partir de um papel de moderação.

Lula, exercendo a função de mito político da redemocratização e atingindo um grau de popularidade tal que personaliza, como nenhum outro, um desejo do povo de transformação, está dando a última palavra em várias negociações entre aliados ou não aliados. Em um determinado momento, foi cogitado um terceiro mandato consecutivo para ele. Mas o assunto perdeu destaque e o PT, ao propor a candidatura da Ministra da Casa Civil, expos a idéia de uma eleição polarizada entre a atuação do atual governo e a do anterior (FH). Esta foi a solução que a direção do partido encontrou para conseguir dar unidade ao frágil discurso que mobilizaria a sua militância representada pelos delegados no Congresso petista. Em tempos de lulismo, o formato de plebiscito está guiando as discussões do PT. Estas, cada vez mais, tornam-se burocráticas no seu conteúdo e simplificadas em sua forma. Essa afirmação pode parecer contraditória, mas para uma agremiação que tem planos de vinte anos de poder não é. Fica mais útil submeter os debates a amarras internas. Isto tendo pouca ou, em alguns casos, nenhuma repercussão na mídia. Não que esta última não se interesse pelas deliberações do partido e que não noticie os fatos relativos a estas. Mas há um distanciamento, cada vez maior, entre o governo do PT e a chamada democracia liberal. Ou seja, há uma crise de representatividade no Brasil de Lula e partidos e Congresso Nacional estão cada vez mais fragilizados, relegados a um segundo plano. Lula, como era de se esperar, contribuiu imensamente para este quadro. A unanimidade da candidata do governo, como apareceu na imprensa na aclamação de seu nome no Congresso interno, mostra bem como têm sido simplificadas, ao extremo, as noções, para o público externo, que têm sido veiculadas. É claro que houve questões desenvolvidas no Encontro, mas o que mereceu destaque mesmo foi: o resultado final da esperada “opção” pela candidata. Até porque, quando se trata de tentar excluir o governo de FH da história dita progressista, o que importa mesmo é: submeter diferenças de orientação partidária ao resultado prático, tão intencionalmente pretendido, do lançamento da candidatura de Dilma. E tudo é feito, dizem alguns, na expectativa da transferência de votos de Lula para ela. Embora o ex-sindicalista saiba bem das experiências anteriores pelas quais teve que passar para alcançar a Presidência e, as quais, a sua Ministra não vivenciou até hoje. Essas farão falta a ela.

Aécio Neves tem feito questão de se pronunciar como político, de projeção nacional, de aproximação entre PT e PSDB. Isso causa desconforto quando a disputa eleitoral, para Brasília, parece ficar restrita a oposição acirrada de São Paulo, entre os dois partidos. O fato é que apenas no Estado mais rico, do Brasil, essa luta é “de morte”, sendo a coisa mais fácil encontrar Municípios, e até Estados, onde as duas agremiações estejam do mesmo lado. Principalmente o PT tem enormes dificuldades em aceitar uma aproximação com o PSDB, o que não é tão rigoroso, entre tucanos, quando olham para petistas. Uma prova é que não são poucos os social democratas, liderados por Serra e Aécio, que fazem questão de demonstrar admiração por Lula, um petista. Também não é proibido, dentro do PSDB, elogiar o Presidente do PT. Mas, imaginando que algum militante preferiu Jacques Wagner, o governador baiano do PT, para candidato ao Planalto, então ficou sim proibido de manifestar a sua escolha quando da maioria esmagadora do Congresso do PT. Wagner não é do PSDB, mas para quem não sabe, foi eleito em 2006 com apoio explícito de caciques tucanos do seu Estado. São Paulo não é Bahia. Bahia não é São Paulo. O PSDB em Minas Gerais, este sim, está mais sintonizado, na figura de Aécio, com os baianos, os Nordestinos ou com o Brasil que não é apenas paulista. A imagem de conciliador do governador mineiro remete, também, a este personagem que procura fazer a ligação com o Brasil que vai além do Sudeste ou do Sul. Que inclui outras regiões, como a nordestina, nos planos nacionais. Se , naquele Congresso, o nome de Wagner tivesse surgido, então teria ficado sem validade a estratégia, da direção, de polarização entre Lula e Fernando Henrique, nos seus respectivos governos. As duas legendas estariam mais próximas se representadas pelo governador do Nordeste. A candidata escolhida possui boa relação com Serra e Aécio, mas o lema, daquele Congresso, era o de não permitir a volta do governo do PSDB. Qualquer afinidade com os tucanos era inaudita, pois se o que os fazia unidos, naquele encontro, era exatamente o combate ao passado, representado pelo governo anterior do PSDB. Aécio também queria prévias, que também são uma forma de plebiscito, para a escolha entre ele ou Serra. Dizia que era preciso algo mais do que uma decisão fechada em um pequeno grupo de caciques tucanos. Mas até o seu plebiscito mostraria diferenças com o do PT e o seu Congresso, embora não quisesse competir com o do partido de Lula. Competição, sim, seria com Serra, enquanto Dilma foi candidata única, e exclusiva, no Congresso do partido dela. Portanto, competiu com ela mesma. O evento no tucanato seria diferente, pois mostraria uma alternativa à oposição exclusivista entre os dois partidos paulistas, esta última que prevaleceu e era necessária no plebiscito petista. Aécio, agora, está recolhido em seu Estado, diz que está cuidando da candidatura de seu sucessor, no governo de lá. Mas o seu papel será decisivo para a escolha dos novos ocupantes do Planalto, principalmente por ele recusar o jogo dos paulistas.

Colocado o cenário atual, bastante inspirado pelas pesquisas eleitorais, de um confronto entre Serra (PSDB) e Dilma (PT), mesmo assim é indispensável lembrar de Lula e Aécio. Os candidatos vêm acompanhados dos seus respectivos partidos. Propositalmente, os atuais Presidente e Governador de Minas embora façam parte direta do jogo, não têm uma legenda, aqui destacada, junto deles. Pode-se afirmar a “peemedebização” de Lula. E até lembrar das especulações, ocorridas até o ano passado e depois esquecidas, sobre a mudança, indo para o PMDB, de Aécio. Independente da afinidade que os dois têm com o partido de Ulisses Guimarães e Tancredo Neves (avô de Aécio), se é que isto significa algo relevante para uma agremiação sem uma forma definida, eles são é políticos de muito talento.
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sociólogo Guilherme Valle







3 comentários:

  1. Nossaaa, você gosta mesmo de política...rs! Bom texto, pode se tornar jornalista hein!
    Obs.: se puder aumentar a fonte, seria ótimo!

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. É lamentável que certos elementos quieram que lula seja pela terceira vez lider do TERRITÓRIO BRASILEIRO.Do nosso maravilhoso TERRITÓRIO.já se faz um absurdo dois mandatos para presidente. Um político que se preze faz sua política em um mandato.(Presidencia não é cabide de emprego)
    Dois mandatos pra quê?

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